andam os pássaros desarvorados
tontos no céu
en piruetas habilidosas de asas
acidentes de ninho
estão os céus cor de rosa
no mistério da unidade etérea
elemento ar e desapegamento de terra
o meu peito também é desarvorado
pentagrama para baixo e substância imaterial
tem o seu próprio mapa sideral
A noite cai húmida pela cintura
busca por ocasos profanados
a noite escura transgressora liberta
e a lua de trono coroa com orbes
candeeiro de templo portal de alma
á espera da colheita final
havia o tempo de ser criança
do entendimento primário e contra baloiço
de correr livre de roupa e balança
físico, meta sereno e empírico
ornamentos de jardim simbólico
com cabeça de esfinge, carros de triunfo
e leões negros de peluche
esses foram os pilares do meu tempo
função hermética de cabeceira de vento
e moínhos no cimo do monte
o tempo das garrafas de ar
dançantes
cristais de azul lápis e tela virgem
e cavalos de pau fixos no sótão
esses são os páteos da minha cabeça
da loucura atual instante
o lugar da fantasia a dentro
imagens que agora são âncora
cabeça de chacal e força
talvez demasiado centrípeta
era uma noite forte e escura, ermita
encarnada do cativeiro do corpo
e cavalgava abrupta
para o culto do meu esqueleto
o meu corpo sangra agora
na criação de horas mutantes
sementes que depositei no horizonte
para envelhecer no alpendre
e ao meu lado senta-se a criança
que sabia de cor o alfabeto
que somava e subtraía
as dores em peças de lego
sentam-se finalmente serenas
depois de tantas trevas
as duas em silêncio, meditando
e no silêncio absoluto desse alpendre
enquanto o sol nasce do seu horizonte
tocam-se como placas tectónicas
promovendo o milagre sísmico poético
A poesia é um grande abanão
chora, grita, bate no chão, vibra
e significa.. estar Viva