Das brigadas do tecido azul
cósmicos os tons ondeados da íris
quebram-se de rasgos águas ferventes
nós dos dedos sacros cobertos de terra
Havia geada nos corações dos homens
bicicletas caídas nas beiras de estrada
peluches atirados do telhado e das fendas
figuras muito negras
Sentaram-se no colo do sol de inverno
de olhos fixos fulminantes no absurdo
pela culatra do mundo
o segredo nuclear habitava o negro dos olhos
na pele macia dos mortos
andava de cabeça para baixo
cabelo descaído sobre o rosto
musgo debaixo da língua áspera
e pequenas figuras alojadas na dentição felina
A mulher ergue a cabeça mãe, pescoço caule
enrolada como erva má
longe de ser vazio enredos e refúgio de horrores
Brilha no crepúsculo pétalas de rosa em coro
desconectadas as seivas são saliva seca
ergue-te oh insana cabeça de víbora
da mundana canseira da labuta
Cada dedo bifurcava em atómicos cachos
cada dia prolongava em atómica hora
e os veios inchados de tanta pujança
para punhados de vida em boa aventurança
-tenho vivido em pleno toda minha temporalidade
As palavras enrolam-se-me na pulsação dormente
dos dias, dizia que nem todos eram habitados na cúpula dos deuses
havia quartos intermediários uns de recobro outros de dor e muitos mesmo de sonhos por definir
as figuras de pedra estacionavam na panorâmica
terraço de graus rotativos que rangiam
como de noite no céu da boca em frescos
e a fundo negro o céu do amanhecer sem querer
às tantas zumbidos e arranhões de garotos
a pele no fio lâmina para fatiados de amanhã
Alguns vivem sem apetite, como isso é formidável
são planadores sem catástrofe, em pura calma
outros estagnadas lâmpadas de tecto, cegantes
gosto das ventoinhas de tecto, pêndulos horizontais
hipnotizantes de ritmo furtivo
lembra quando entravas na roda ou no elástico
hélice espiral vibrante e depois sair com mestria
pousar de novo o pé no chão com convicção
hirto, verticalmente existo
Este terminou, outros virão.