domingo, 1 de fevereiro de 2026

Deus ex machina II

 Curvilínea áspera atmosfera dobrada por deuses 
áspera de pele massa philo de camadas de Cronos 
metidos dentro de si, patinando sorumbáticos
criaturas de altos standards e inteiriçados de veritas
olhos marejados de tristeza, róseo rosto de cabelo liso
heroínas e heróis de prateleira, vitrine de recheio


Havíamos percorrido tudo
com a embriaguez de um embrião 
para resvalar livremente 

quebrava-se o molde, por motivos perpétuos
ganha vida a figura por galerias flutuantes
olhos avultados e pasmados em lascívia 
rasga-se o sorriso para esgar assassino
olhos que nos perseguem de lugar vítreo 
sinais orações ondas de fogo 
bagagem sem passageiro que somos às vezes
a cidade vai-se descrevendo em clarões de sol
o espectáculo da noite império avança 
de tons argênteos e sombras de magros e alongados
membros, alma imergente em trevas

e o peito desvairado aperta-se para conter
quero por força desmaiar-lhe nos braços
mordo-lhe a boca, 
Beijo violento vampírio
beijo-me e desmaio, intensamente caído 
onde maquinalmente me converti em suicídio 
morde-me de novo como fruto maduro esse pensamento 
embarco no acrescento, na renda do medo
rendeiro das minhas entranhas, corpo patenteado
herdeiro dos montes desabitados da infância 
lugares de absoluto silêncio sobrenatural 
lugares de dimensão colossal
Linhas, preenchimentos de sombras, esbatimento 
Parti como folha desapegada da região lombar
o mundo tratando por tu a disposição topográfica 
da mente, com fome, demente, vibrante 
de noite ouvia-lhe os soluços em cânones de chuva
talvez uma tristeza de alma peninsular 
e chorava com a irredutível honestidade de uma criança 
que levamos de passeio numa aventura 

Há qualquer coisa de dramático

em perdermo-nos nos confins do horizonte 
porque nos haveríamos de pensar em fim
se ali começam todos os trilhos de corta-mato
porque rezar o repouso dos mortos quando
podemos voar com as asas tricolores do condor
e prolongar para além do tempo e do espaço 
como tudo o que é imortal 
o novo, fresco trigo ceifado 
atirado livre do colarinho duro das estações 
e a voz oculta dos que têm fome não têm refeições.

Eu nesse momento inspiro
insisto na exibição artística frustrada
no desmaiar da bailarina em estrada
bicos em alcatrão fervente de Verão 
assim são as lides do amor mercenário