Em nós habitantes do verbo
compostos cuidadosamente no musgo
na lágrima da teia, na castanha caída
vago e materializado alheio de constelação
construção de aberração e abismos brutos
trágico de brumas violeta fúnebres
penalidade da paisagem faústica
arquétipos do combate violento da manhã imensa
amor esse ritual de oráculo inválido
o pathos indecifrável que depois nos arde por dentro
tudo terá o peso do passado estóico
uma tendência impurgável do estuário da mente
tudo é beira de máquina registadora
Fio de lâmpada pendurado no tecto
Tecto céu que arde em lume brando
estéril nu monólogo que trazíamos interplanetário
sobrevoa a tudo isto comigo
sobrevoa em sobre voo tu e eu
Quando fotografei o rosto tinha o sulco do tempo
uma infância em rosto de velho, sorriso eterno
Talvez fosse sulco de sangue
acidente que se explica na violência
quando se nasce no avesso, lado feio
Estava lucidez, nunca estive tão plena e limpa
E da região báltica do meu coração serena
Havia um eco guarnecido de uma luz verde intensa
cor de verde atómico gâmico
Talvez uma cor de silêncio ensurdecedor
de couraça de dureza que na surdina da madrugada
nos pesa no seco, da boca se calhar do vácuo
Às vezes a besta parece-me tão longe
que o ódio agora só me artificial
Somente só.. nunca mais sentiria
A quimera acorda aqui a teu lado
Finalmente em paz.
Recordo-me de tudo desde o inicio
Sestas do feno, mascando o sonho do amanhã
No Alentejo o amanhã parece sempre tão longe
as noites de varanda escaldantes, o apetite voraz
tudo para viver nada onde o metafísico é insano
Fumos, noites infinito Céu do mais pálido riacho
tudo campos medonhos de silêncio
Havia sempre silêncio na minha casa
E as paredes contraiam-se-me de impaciência
de horrores fictícios de outros nomes
parecer de uma pós guerra de si mesma
Agora que regressas a um lugar que já não existe
era um lugar com futuro
e a paisagens foi revoluta, provocou a morte
e com toda a sua sorte, aqui persiste
em fiapos de memória
Talvez tenha tido tantas pequenas mortes
e os remendos de tear de lonas de aço
Armadura mas sem amargo trago, destreza felina
Dentadura canina, veneno reptílio e sobretudo
Fibra da mais alta qualidade onírica
Bravos, bravos terão de ser os próximos
Porque agora em consciência
cada aurora bate dentro do pano
E de cada vez que sobre o pano
sequestrado pelos sete cantos do universo
Eu sei, estou vivo, sou eu o próximo verso e
declaro o poema infinito ginástica espiritual
pelo luto do primeiro momento
Grande força tem a palavra
fala de quedas de neve ou de febres de guerra
fala da grande alegria e da universal agonia
fala de todos mas rigorosamente todos
passarmos pela mesma linha
Gosto do olhar ternurento da despedida...
E da lágrima caída
que diz, terminei, continua TU
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