chagas, cruzeiros de mente natura atracada
castigos híbridos de onda vai e vem purga
pescados à linha sabido de dias movidos de névoa
interlocutores de momentos que a vida toma
de arremesso só porque sim, cultivando o fim
e contamos ínfimas pequenas fatalidades
da mais diabólica força das circunstâncias
sentada na varanda, o rio escortinado de arame farpado
mulher bruta estremecia do canto arrumado
rio ria rua sobre estaca e grua, pequena gorda rígida
a rua regorgitada escorria água e lua
era peça frágil fácil rapariga de lancil
mulher indígena de riacho sinistro beleza rara
tinha vegetação luxuriante oculta entre os montes
ternura reconhecida entre horizontes
tinha-se levantado de madrugada antes de dormir
num estado sonâmbulo fantasma meio sombra
quando era criança e era deitada numa pele de vaca
escutava os cascos filigrana de cágado
era só indígena de pedaço de terraço
acho que o meu choro era rio sentado na proa
momento insuportável
talvez indígena de afecto pirilampo de tecto
e os meus olhos rodopiavam carroceis
ligeiros de velas, porta a porta janela a pátio
sentaram-me à mesa, vago e inquieto
hoje sinto como objecto obsoleto
é, sermos refeição para ingrenagem favos
interrompe-me o silêncio da noite
eles ressonam eu respiro
foram noites infernais que me punham em choro
imagina que no cachimbo são lascas de pele
e com as unhas raspo a página amarelada
do livro mais entorpecido da prateleira
aninhar sem tossicar, dizer sem acordar
que a verdadeira família paginando-se cadeira
achava-mos que a pólvora era suor saindo
da gaveta do sexo e da sagração do universo
era um dia muito mais velha
olhava pela janela escotilha de um barco já afundado
que sabe do íntimo
as mulheres muralhas servidas na refeição
esmaltados de irriequietude
os barcos aguardavam até ao cais
encostados de conforto na escuridão
talvez entre rochas e vertigos, espírito vago
tenho os restantes anos assentes nos joelhos
costumava crer que éramos todos iguais
quem chegava tarde penteava sobre...
Ela tinha sempre as mãos secas
subindo o alpendre da casa sem lâmpadas
tínhamos de execução a escuridão
às vezes os burros rondam a ilha
mesmo antes da expulsão do vulcão
havia resquícios
e ainda...
nunca ninguém acredita
que todas estas palavras são ficção
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