era uma praia deserta
alguém amarrotou a folha
demasiados anos em silêncio
porque não há sequer danos
pela praia fora
momentos que nos afastam
do tempo de ser criança
quando ainda rezava
que tudo a onda alisou
e se eu me aproximar
irei sentir o sopro
na palma da tua mão
bem fundo um tesouro
então se for recebida
porque tu nunca dizes não
passaremos a ser vida
- um colo e um cristão
terça-feira, 6 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Jayadeva
que se construam diques
que me faltam fronteiras
também o sabias se sentisses
os laços que corroem o sonho
moldando barrentas montanhas
ondas onde se afogam crianças
já se esqueceu e nem aconteceu
e se escolhesses outro alguém
para me pisares as entranhas?
Jayadeva
porque não me sai da cabeça
como carícias de fel e manto
pequenos gestos que cintilam
cegando
em audácia lágrima de água
e tudo o sufoco de uma oração
que arde o coração no fogo
Jayadeva
a liberdade já me custa
atrás das paredes do decoro
está uma estátua de pedra dura
a minha fonte em securas
do bebedouro corre o soro
que milagra bens em tesouro
não vens?
que se construam diques
que me faltam fronteiras
também o sabias se sentisses
os laços que corroem o sonho
moldando barrentas montanhas
ondas onde se afogam crianças
já se esqueceu e nem aconteceu
e se escolhesses outro alguém
para me pisares as entranhas?
Jayadeva
porque não me sai da cabeça
como carícias de fel e manto
pequenos gestos que cintilam
cegando
em audácia lágrima de água
e tudo o sufoco de uma oração
que arde o coração no fogo
Jayadeva
a liberdade já me custa
atrás das paredes do decoro
está uma estátua de pedra dura
a minha fonte em securas
do bebedouro corre o soro
que milagra bens em tesouro
não vens?
domingo, 4 de maio de 2014
Inlogio
dava-te
a conhecer uma linguagem própria
a batida de uma prosa romântica
num tom colegial e fatal
depois disso levava-te a comer num restaurante caro
mostrava como sou elegante e pagava a cartão de crédito
esbanjava virilidade até tu estares cansada de tanto charme
aí vais gritar o meu nome
quando te puxar pelos cabelos
nada de censuras na hora de te chamar de puta
adora a minha pátria: há um hino entre nós
roga a todos os santinhos para seres o grito
por esse vasto mundo ainda te falta um marido
mulheres,
sois tão semelhantes à poesia
uma de noite outra de dia
e sempre a falta de companhia
a conhecer uma linguagem própria
a batida de uma prosa romântica
num tom colegial e fatal
depois disso levava-te a comer num restaurante caro
mostrava como sou elegante e pagava a cartão de crédito
esbanjava virilidade até tu estares cansada de tanto charme
aí vais gritar o meu nome
quando te puxar pelos cabelos
nada de censuras na hora de te chamar de puta
adora a minha pátria: há um hino entre nós
roga a todos os santinhos para seres o grito
por esse vasto mundo ainda te falta um marido
mulheres,
sois tão semelhantes à poesia
uma de noite outra de dia
e sempre a falta de companhia
Osso por Osso
fica pamodi n'dexabu
(cegonhas no horizonte
é sim prope kim tá qrê
(lugar de sonho andante
un tá doido na bô
(que ninguém vê agora me beija
Ki mi ma bô no separa
(foi assim que o cão perdeu o osso
nha cre agora
(que a culpa foi da banda sonora
(cegonhas no horizonte
é sim prope kim tá qrê
(lugar de sonho andante
un tá doido na bô
(que ninguém vê agora me beija
Ki mi ma bô no separa
(foi assim que o cão perdeu o osso
nha cre agora
(que a culpa foi da banda sonora
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