Talvez a noite oprima
com o seu ronco de trituradora
e engrenagem delirante
Talvez a noite nos caia em cima
cúpula de espartilho branco
e absolutamente quieta, a alma
se vista de gente
cristalina a lua ou porcelana da china
ceptro de encantamento e vagar
e o horizonte amainado no canal
formas fantásticas varridas do firmamento
sonâmbulos, na beira das alturas
dos beirais tétricos pausando
como farrapos trémulos do mergulho
que partem nos céus para a alvorada
Andorinhas de cenários desolados
E sentada no tecto do quarto
suspensão de teias de tédio
moldam-se linhas de voo além tecto
Estreita a língua da terra
que enrola e desenrola pantanosos desígnios
semblante de criança
retrato de choro natural
sede de nuvens rosadas e quentes
e colos áureos
Começamos pelo embalo
cordeiros de cabeceira combalidos
havia sinais negros na encosta
braços rígidos como se estivesse morta
e várias milhas de paredes
templos de neve e sede
Mas o lugar das coisas quietas
é no poema que sofre em silêncio
Por isso habitamos em moínhos de vento
ou talvez um farol no espaço sideral
Talvez a noite se vista de coisa fantástica
no labirinto das coisas que se sonham
no lugar do tecto que seja o ventre
e a língua se desenrole de caminho
do poema desígnio que se olvidou do início
porque todo o poema tem o seu suicídio
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