sexta-feira, 29 de maio de 2015
Mundus est fabula
Da atenção maquinal um pulo confortável
afundamento de uma exclamação surda
do ranger dos dentes o arcar de tudo
o homem e o momento
das próprias loucuras
e a prova mais dura, transcrever honesto
no recato de um violento aposento
porque a grande muralha é o mesmo.
Ah grande porta ogival humedecida
o pátio sombrio de tecto abobadado
e um castelo para seu uso particular
de mimos de exagero
a sólida fortuna dos cofres de herança
do labor afectivo da extravagância
moedas de dor sonantes.
e edificado rei no forte peito aristocrático
onde nada lhe foi ensinado
o pendor natural e humano
varonis de obstáculo e desejo
no ímpeto da anti oxidação das pratas
lavradas de um notável puro sangue
essa vontade férrea tão próxima de Eva
e que lhe importa o deixar-se escravizar
tal praga no senado, que leviana essa diva
só poderia do paraíso ser fugida.
Pobre Eva! E vê-la surgir em cada conversa
depois de silêncios que embaraçam
e de muitos mitos consumados
Pelo castelo do pobre homem que a ama
-Pobre de Deus...
SE fosse qualquer outra, camponesa
ainda que das mesmas artimanhas criatura
deformar de forma tão entregue a sua vida
mas, pobre Eva maquinal a sorte da Terra.
terça-feira, 26 de maio de 2015
Para Elisas
este poema saiu-me das entranhas
custou-me as costelas e as clavículas
mas todo se entende não é verdade?
todo é sinónimo da mesma pasta
da mesma vasta e curta simultânea palavra
todo desnecessário de dicionário
de segundo significado e deambulação
tão simples é assim o meu pesado coração.
este poema traduz na exacta medida
as lágrimas que não me couberam na tina
sabe o peso que a balança acusa
sabe que medos e segredos denuncia
sabe que temperos pede a receita
e que pontas soltas tem a tese feita
este poema está feito do meu sentimento
da minha carne pele e consentimento
não tenho mais que melhoramento
nem tão pouco opinar sobre entre linha
sobre segundas vozes ou matrizes extra terrestres
este poema é o nome e a alma que o consome
é a dor e a vontade de lhe ser esplendor
é todo aquele que lhe for honesto na métrica
porque tão simples é a sua leitura
desde que cumpra a sua vontade pontiaguda
este poema é a linha que nos cose
quando nos deixamos rematar
quando nos entregamos ao acto simples de o ler
sem que estejamos a projectar qualquer ser
Tão bem sabe receber e quem sabe imitar
porque de nós nada esteja a brotar
porque de nós nenhum poema para debitar
Este poema é mau, é sarcástico
é espelho, é velcro de inveja
é caco de peça que nunca foi inteira
é...e se é tão simples assim,
porque sabemos que este poema
não é um poema,
é uma legenda!
hei-de narrar sombras chinesas
bonecos de recorte de papel
a tesoura é lima dos espinhos da dor
e em quebranto lavar o menino
que nasceu com o diabo no corpo
-Hoje parece que sou filha
de um gesto envolto em filia
que o prefixo pode ser qualquer
desde que me chore o destino
estamos sempre sozinhos
e quem não entendeu ainda
entretem-se de detalhes fidedignos
do seu próprio gago caco vaso
a respeito do inócuo ventre vítreo
creio que é qualquer corpo
de ninguém para imitar outro
Há passos que estão noutra dimensão
como sonhos tão palpáveis
socorros de urgência, imobilizando
sintomas de suspeitas de fractura´
a tantos pretéritos perfeitos.
ó homem lesa e encontro baixo
eiras de voltas inteiras
da fina argúcia o contacto
da cobardia do filho que não tem defesa
nesta época de transições imediatas
conta-se com mais largura do que alma
e pela névoa rosada do amor possível sobre caos
de uma caligrafia intransponível
mas com mais augura de horizontes
talvez se responda, mãezinha, tenho ainda uma
curta biografia!
parto porque me permitem
três encriptadas são as voltas
que dando às nossas falas
se demora o nosso parto
para se fazer arte é preciso um terceiro olho
absorvendo toda a informação do futuro
e acreditar no produto final
sim, vai passear as cadelas
não sofras mais
a especialidade líquida é valiosa
provoca um imediato bem-estar
crostas e chagas
mas cuidado com as imitações
triciclozinho da infância
ah a confecção dos enxovais
aos demais jardins de criança
com um gesto de desafogo
de fatigado animar vulgos desejos
só desejos! porque de resto nem vê-los.
tem razão o homem isolamento
que trabalha no conceito
e é digno de respeito,
de compensar a realidade e compressão
averiguar a razão
que o poderia ajusta solução temer
porque tudo são sempre desequilíbrios nervosos
a clarividência de erros de educação
de termos sido todos doutores
e afivelar cangalheiros do ganha tempo
proporcionar-te a cabeça a felicitar
e tudo é dar ou se é
e ponderar com um só longo tiro
de novo, proporcionar-te a cabeça a pensar
a nosso corresponder a pieguice de continuar a arder
desse equilíbrio que se ganha
da libertação de tudo o que se julga ganho
Se sintam humanos comportando-se.
E lembrar-se que um chefe é um grande vocábulo
do impor e respeitar o outro.
tenho ouvido gente falar de osso
vagamente um parto sem dor
no parto do sem medo-parto
e articulando, os nossos filhos sem dor
hão-de estar na posição certa de mamar
o mundo está a dar qualquer coisa em troca
de comodidade, oportuno e franco
o engolir e procurar
tanto verbo que fica por mamar!
O que não se deve fazer,
doenças de carência do ser
a alteração dos atrasos do andar
e tínhamos afinal toda a luz para ver
a insolência solar fontanela da alma
e deformações para nos desculparmos
à deglutinação
a oposição vertical ao mais aproximado dos verticais
na parte interior do seio esquerdo
que a criança engula o seu anseio
e diz que o vómito é insignificância
que há-se ficar para além do ar que lhe é facultado
para sentir que podes estar vivo
graças a esse ar consentido.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
seguro morreu de...
A estremeção de quem subitamente é chocado
do ninho de terra e argila púrpura orlado
agitando as ramas dos traços de injúria e lascas
aramados depois de sombras no instante primeiro
E as pálpebras se ungindo da grande fornalha do íntimo
que resta no deserto uma carcaça ardente
talvez temos areias diferentes
Dão raças inteiras de acasos
o prenúncio ergo e ecos
em matéria de humano arbitrário
dentro do obituário a igualdade da alma
Ah mas a consciência é imunda
das alturas in alcançável mundus
E ás vezes é preciso invocar
uma procura que nunca se resiste
nessa arte algo irreparável em tudo isto
um cataclismo sem modelagem possível
de todo o mundo antigo ser matemático
e nós hábitos em preguiça de contagem.
Ponto. Já disse ponto porra.
Que me desinteressa a ideia do mundo
de mata esfola sem martelo
de pedir esmola sem alfabeto
de além cima sem inferno.
Ai porra que porra de intelecto.
tanto averso mais menos comprimido
ter tanto de anarquia como de presídio.
E o império sobre pedra dorme
a subtrair a parede que não cede
aquela cerca que nos impede
no íntimo nocturno do dia sem nós próprios.
Esta sociedade condição. Fertilização phatos
encruzilhado e perturbação de paz.
seguros de termos raíz.
Aí sim. Ascetas de pequenos números
que dão teoria à terra.
Aos que convidam à sorte, sou temperamento forte.
quinta-feira, 21 de maio de 2015
uivos da loucura
A promessa celeste nas trincheiras
heróis e heroínas do fim dos mundos
a barraca da felicidade
ardendo por todos os poros
É o pão da alegria e o segredo do amor
a esperança nossa e o dinheiro manganão
e os anjos rebeldes brotando do chão
esse cão chão ímpio
avarentos restos de sua santidade
Os tiranos lavam-nos os pés
mudam-se as matrizes
do arrependimento à misericórdia
todo o homem tem história
feito voluntário
mas há apenas um único grito
aflitíssimo que o acorda
quando a pele cai para mudar
e desse ser que escorre sangue e carne
quem visita as muralhas ausentes
para chegar ao verdadeiro fogo infernal
mesmo antes da dor
A raiz de todos os males
diz que é a desobediência
e o descurar da oração hipnotizante
do parecer que a terra se move
Ah a eterna salvação
no lugar do rico coração
a omnipotência e o pecado de infância
-Como fomos loucos!
E diz que a loucura não tem remorso.
(No oratório no dia do juízo final
escutam-se uivos dos vermes que não morrem)
E ao contar este sonho
dilatando-se-me a alma
vi lá muitos dos que aqui me escutam.
Para ir ao inferno é preciso ser antes
julgado.
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