quarta-feira, 20 de maio de 2015
organic
Vibrar uma barata em sapatos de prata
da massa conjunta o apertão e dar corda
sentindo na pele a fronteira acolhedora
da viva-cidade sem torpor ao acordar
São os cabeçudos que não se vergam
os abelhudos que não se enterram
e a preguiça na qualidade animal.
Factus est sicut equus et nulus
da imundície de más paixões
Quibus non est intelectus
e são os ladrões e os fanfarrões
as soberbas rosas vermelhas
da admiração a carne colhe-las
no odor infecto da renovação
nos acordes de acesso ao acaso
os herdeiros das penas eternas
coluna de cristal para tocar nas estrelas
E cada tentáculo uma asa dolorida
a acidez do gesto contido
milícias da imaculada boca
em marmelada rubis sem roupa
aonde vai a dentro o sapo poerento
Diz que faz um tanto ou quanto ábaco
do nosso pensamento
e a sedimentação da subsistência
o exacto balanço entre
cada fronteira-forma
Fossilizando-se
de mineral a composição
o vasto lapso do tempo
Tantos instantes dádiva
períodos de acumulação
milenares pegadas
facilmente trancadas
Por gradações transitivas
o efeito do paleolítico
nas nossas vidas
É o litoral animal
Rochas submarinas desnudas
um só progenitor
organic beings
de ofegantes distorções elefantes
e oboés de agarro-disparo fés
terça-feira, 19 de maio de 2015
Os andarilhos de Deus
de aqui se andar descontente
et voilá, écrire no Saara
a usurpação do real se afoga
em punhados de areia e nada
aceno de cabeça bastardo
ao efeito mágico do andarilho
que caminha sobre as águas imaginárias
as últimas coisas
do profundo subsolo da memória
um retardo ambulante
em função dos seus próprios eus
aqui o epicentro é mais fundo
da crua aparência a secura
mas fechar os olhos e sonhar
pela nítida arritmia cardíaca
esses sistemas de vida assistida
de se acreditar em milagres
e um acto de amor não falhe
a quantidade das coisas últimas
pesando-se nas pegadas sobre o mar
querer fazer-nos a vontade
nossa coisa vazia de verdade
um longo instante..areia esculpida
um tão improvável homem nasce
do papel de deus num milagre
os andarilhos de deus
caminham sobre a areia fervente
descalços
segunda-feira, 18 de maio de 2015
a um possível A deus
Cuidado com as aparências apertadas
Dobrar-se num quadro dobrado
a mais leve bagagem de lado a lado
e certamente o caminho mais vasto
A passagem livre para o paraíso
a multidão alegre num quarto de tarte
porque para ir para o céu é necessário
um sobretudo de escravos de instantes
O molde de asnos a conselhos de supremos
Medrosos medronhos meus lindos cravos!
Depressa soberbas palavras de admiração
a praça onde morreram nossos tios
Será sempre a nossa quente cama
onde nos apetece a rama inteira
essa espiga que guardamos memória
primeiro dia solto de apanha.
pinga e saias no ar...nós mesmos
a jogar ao apanhar
E os costumes elegantes dos colégios
onde o chapéu se disfarça de chifre
Toda a planície é nosso breu
e na distancia nos achamos inchadas
no centro das pernas que correm mais
que a própria alma
Meu Deus, a minha terra é ainda virgem
desta multidão que a apalpa com sedução
eis como os homens vão para o inferno!
Repito,eis como os homens vão para
um inferno qualquer explicito
e aí...de que serve o aviso?
Verso nosso que no céu está is descrito
a longa marcha dos aflitos
ainda tão maior que os homens
é o semelhante a deus
e toda a sagrada escritura
que nos faz sentir a falta no Adeus
pinta lábios
in a mellow tone
miniaturas de fel o jogo
de espinhos harmónica abre e fecha
ver para além do existo no leque da mão
um par de gémeos querendo adivinhar
no cansaço que pesa fora de horas
o homem que pede papo furado
a um destino mais que vencido
o rosto lívido transpirando
da futilidade de se achar ganhando
hei-de deixar espiar-me
limpar as quezílias das costas
in a mellow tone
das mãos em fúria branda
partir o baralho sem planear,
até parece coisa de criança,
e telegrafar para o além
caracteres de naipes de nós
as teorias do hábito em falta
vestindo de fresco o corpo talhado
de um só baralho, nós
do couro curtido o rosto encardido
certas conclusões silêncios
bluff é coisa de tempos do faroeste
in a mellow mel o tom
como cigarros pendentes nervosos
entregando à cama vestes despes
da clandestinidade da batota
ruínas para além das memórias
que o gesto já foi aprendiz
e a máquina de discos pedidos
encravada
ficando à vista quatro ases
somos espelhos de carne
o molhar dos lábios escarlate
no cruzamento de luzes fáceis
uma baforada de razões aparentes
para se crer no labirinto do trunfo
e ainda no rito nervoso de um músculo
o diapasão do miserável vício
planos esquizóides de partes do corpo
para levitar do fundo o éden
na suspeita de uma derrota bem vencida,
mas que pode apenas uma foda
in a mellow tone?
-tudo tem o valor de um chavo
tudo guardar na mesma gaveta
no mesmo fosco armário
-que é isso de ganhar à sorte?
Almas embrulhadas em celofane
bolorentas no bater da continência
depósitos de fim de semana
no ritmo mecânico da engrenagem
de sermos todos divas jazzeadas,
mas o tom manhã seguinte é outro
das pálpebras ondas vagarosas
o pavor entre as almofadas
rostos de fel e reles odor
antes morrer durante o sono!
e vem aquela puta line more than fine:
we still can be friends, friends
frentes frames de empty walls
Wall.E - Eva
somos criatura viva
à laia da consolação do aditivo
poder-se retardar este vício
poder-se quebrar este ciclo
e aventar cartas sem nexo
este jogo estou disposto a joga-lo
e a perde-lo se for necessário
sem contagem sem margem
do heartbreaker arte bravier
arde behavior ar de mellow mel o Tom
Amar-Te
quinta-feira, 14 de maio de 2015
a gaiola da fortuna
isolado numa gaiola
que para voar algo tinha que ser livre
as amargas fezes da fortuna
lado a lado com a dose de alpiste
-aquele demónio que ali está
tortuoso chilrear com horror próprio
esse sinónimo de anátema
tocando nas raias da histeria
e cobri-lo com um lençol
assim longe da vista
talvez o demónio se cale
saber que o passado o venceu
morrer de velho e finalmente
mudo.
o carrasco é o lençol
que o mundo é demasiado frágil
a certidão do nascimento é falsa
não nasceste de uma mãe pássaro
brotaste de um buraco extraterreno
e mais teologia que ironia
para exorcizar-te e o bico calar-te
mas mal havias nascido
já o canto era frenético
se não podias apenas sorrir
no silêncio do meu quarto
talvez embalsama-lo
para pendurado imóvel
de cabeça ao contrário
lembrar que o diabo não dorme
que mesmo as coisas mortas
invertidas e silenciosas
querem dizer o seu nome
prólogo de um poema vida
e morres sozinho
o universo desintegrando-se lentamente
numa câmara de falta de ar vigiada
e quando os teus pulmões sufocam
uma única lágrima por tudo o que não foste
não porque uma razão te tenha impedido
mas porque não tiveste coragem de o ser
e és então envolvido por uma escuridão
pesada e definida, sentes-te flutuar
pensando livre.
logo saberás o que está para além
todas as restantes lágrimas
de brutais anos perdidos
dos dias que chegaram ao fim
mas morres sozinho
nesse momento único
uma morte ritual, pesada e definida
onde uma única lágrima caída
espera que na palma de alguém caia
e não é um provável inferno
ou um cristalino paraíso
muito antes um limbo onde pairas
expiando todas essas lágrimas
a vigilância da tua morte
é a consciência de uma vida não vivida
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